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POSTADO EM 03/07/2020

Palavra do Gestor: tudo sobre os acontecimentos de junho

Confira a palavra do gestor dos fundos de renda fixa e multimercado

ECONOMIA

 

As últimas divulgações de indicadores de atividade global e doméstica foram menos negativas em todo mundo e o principal driver continua relacionado à propagação da pandemia do novo coronavírus. O mercado continua sensível a notícias que parecem variar em tons otimistas e pessimistas a cada dia, com decisões de afrouxamento do isolamento sendo tomadas ou revogadas em algumas localidades, dependendo do surgimento de novos casos.

 

Neste sentido, algumas instituições apresentaram avanço na elaboração de uma vacina preventiva. A China divulgou que obteve bons resultados em estudos de uma vacina que teve eficácia total na prevenção ao vírus em teste realizado com 1.120 pessoas. Já no contexto brasileiro, o governo federal anunciou um acordo de cooperação para produção de vacinas em território nacional, em parceria com a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca.

 

As notícias são positivas, porém não se pode desconsiderar que, ainda que diante de avanços, outros fatores deverão ser discutidos até uma vacina estar disponível ao público (acredita-se que esse processo pode levar vários meses). A possibilidade de uma segunda onda continuará presente até que uma vacina esteja disponível em ampla escala.

 

No mercado local, o COPOM decidiu por um novo corte na taxa básica de juros, novamente em 0,75%, o que levou a SELIC para 2,25% a.a., marcando nova mínima histórica. O mercado foi impactado pelo tom da ata de divulgação, com sinais de um encerramento (ao menos por hora) do ciclo de cortes após oito reduções consecutivas.

 

A interpretação é de que um próximo ajuste, agora menos esperado, seria marginal. Apesar de uma comunicação considerada mais clara, a ata não foi condição suficiente para uma redução mais expressiva na inclinação da curva de juros, condição esta que reflete o cenário de incerteza quanto aos rumos da política fiscal para os próximos anos.

 

Por outro lado, a queda nos juros foi novamente fator relevante para a desvalorização do real frente ao dólar. No mês, a moeda americana apresentou valorização de 2,18% e registrou, neste primeiro semestre, uma alta acumulada próxima dos 30%.

 

Pudemos observar alguma melhora em determinadas perspectivas:

 

  • os índices de confiança empresarial registraram recuperação mais consistente em junho;
  • o resultado do Caged apontou fechamento líquido menos acentuado de postos de trabalho;
  • a extensão do pagamento emergencial foi confirmada por mais dois meses;
  • ocorreu a aprovação do marco legal do saneamento, que pode trazer mais investimentos e abrir espaço para outras medidas do gênero.

 

Apesar considerada por especialistas “carta marcada”, a aprovação do marco legal figurou como avanço, ainda que modesto, na agenda de reformas liberalizantes e seu placar de 65 a 13 mostrou um possível alinhamento do senado com a agenda de Paulo Guedes.

 

MULTIMERCADOS

 

Nos fundos Multimercados continuamos mais comedidos, realizando lucros com a alta e abrindo mais espaço no orçamento para entrar taticamente.

 

Seguimos trocando parte de nosso portfólio de ações locais por uma parcela no exterior, especialmente no mercado norte-americano. Permanece nossas percepções de uma retomada mais forte e vigorosa primeiramente nas economias desenvolvidas, enquanto que internamente ficaremos com risco adjacentes à pandemia e risco político, onde o medo de uma segunda onda de contaminações pode influenciar a retomada da economia e os índices de confiança.

 

Em um cenário de menor patamar de juros, acreditamos, porém, que esta teria um efeito limitado, pois o excesso de liquidez e a falta de alternativa de investimentos tende a colocar um piso menor do que o visto no epicentro da crise.

 

Neste cenário mais desafiador, para a parte de Renda Fixa soma-se o fato de um risco fiscal latente, portanto visualizamos mais oportunidade na parte curta da curva alocando maior parte dos recursos e aproveitando para fazer uma proteção na parte longa, onde os prêmios tendem a ser maiores em momento de crise e incerteza. Utilizamos também a ponta mais curta da inflação para alocarmos em detrimento a inflação longa, considerando o mesmo balanço de riscos.

 

Também incrementamos as alocações em nosso veículo de Renda Fixa ativo, onde busca-se capturar ganhos via arbitragem e distorções na ETTJ e inflação, não dependendo exclusivamente do fechamento das taxas de juros.

 

Nas estratégias onde são permitidas, mantemos uma parcela relativamente pequena exposta em dólar, visando proteger uma eventual forte aversão a risco.
Em junho, o índice Ibovespa fechou com valorização de 8,76% a 95.056 pontos e o dólar com alta de 2,18% cotado a R$5,45.

 

RENDA FIXA

 

Em termos gerais, nossa estratégia para o mês de junho seguiu em linha com nossa visão no final do mês anterior. Com a perspectiva de uma tendência menos pessimista, puxada pela expectativa de uma reabertura econômica e com o arrefecimento das tensões políticas, iniciamos movimento de aumento em exposições prefixadas, em especial, através de aumento tático na exposição à ponta média e longa dos juros nominais – a consideramos muito atrativa devido aos níveis historicamente elevados de inclinação (diferença entre taxas curtas e longas).

 

Entretanto, com a elevação do risco político acrescentando maior grau de incerteza à um mercado já muito pautado pelo nebuloso cenário de perspectivas sobre a sustentabilidade fiscal, optamos estrategicamente pelo encurtamento da duração média de nossas principais estratégias. Isso se deu, a partir do meio do mês, através da redução de exposição em juros nominais de mais longo prazo, realizando assim algum ganho nestas posições.

 

Assim, os fundos apresentaram bom desempenho no mês, dando continuidade ao processo de recuperação iniciado em março. A curva nominal teve redução nas suas taxas, na média, de 25 bps enquanto a curva real caiu, na média, 48 bps entre seus vértices mais curtos e 24 bps entre seus vértices mais longos.

 

Apesar do risk-off observado ao longo das últimas semanas de junho, nossa estratégia para este início de segundo semestre se baseia na constante observação da distensão no ambiente político, jurídico e no acompanhamento da dinâmica fiscal, o que possibilitaria a captura de novos ganhos com o alongamento da exposição em juros nominais e reais, as quais analisamos a atratividade da exposição indexada à inflação (NTN-B), tanto curta quanto longa, uma vez que a esperada aceleração da inflação no segundo semestre possa trazer ganhos relevantes nesta frente.

 

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