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POSTADO EM 07/10/2020

Palavra do Gestor: tudo sobre os acontecimentos de setembro

Confira a palavra do gestor dos fundos de Renda Fixa e Multimercados

ECONOMIA

 

Os dados de 2020 mostraram que, com as consequências do isolamento social, o cenário econômico sofreu bastante em março e abril. Porém, a partir de maio, o processo se reverteu: a economia iniciou sua recuperação e o período mais delicado ficou mesmo no 2º trimestre.

 

Já podemos dizer que um dos impulsionadores dessa recuperação rápida foi o estímulo fiscal e monetário dos governos e Bancos Centrais nas economias. A renda das famílias e o crédito para as empresas foram disponibilizados amplamente nesses meses, sustentando, em parte, o consumo da população e as cadeias produtivas.

 

Por isso, uma grande apreensão do mercado, hoje, tem a ver com os impactos que uma segunda onda de contaminação no mundo poderia trazer para essa recuperação. No caso de um novo período de isolamento social e novos gastos dos governos para assistir a população, o processo de recuperação da economia mundial pode ser afetado, fazendo com que a retomada do crescimento demore mais que o esperado.

 

Esse cenário de incerteza somado ao aumento da percepção de risco fiscal no Brasil fez com que setembro fechasse com uma taxa de câmbio e expectativa de juros futuros mais altos. A Bolsa, em contrapartida, encerrou o mês em queda.

 

Essa incerteza está relacionada a duas questões:

 

• Aumento da dívida do governo com os gastos associados à pandemia;

• Receio do mercado em à aprovação da agenda de reformas e à manutenção do teto de gastos.

 

No mercado, 0 aumento da percepção de risco fiscal se manifesta de duas maneiras:

 

• Aumento da taxa de câmbio — que fechou o mês de setembro com alta de 3,10% em comparação a agosto e já soma 45,57% em 2020;

• Aumento da inclinação da curva de juros, ou seja, uma diferença maior entre as taxas de juros de curto e longo prazo.

 

Com a percepção de risco maior, o índice Ibovespa caiu: em 30 de setembro, fechou acima dos 94 mil pontos, mas 4,80% abaixo do nível de agosto e 18,20% menor que o registrado no final de 2019.

 

Por outro lado, foram divulgadas informações positivas no mês. Os dados de julho da indústria, comércio e serviços continuam a crescer, mostrando que a recuperação da atividade econômica no 3º trimestre está em curso.

 

Alinhado a isso, tivemos o melhor mês de agosto dos últimos 10 anos em relação à criação de vagas de emprego — ao todo, foram 250 mil novas vagas no país — e a confiança do comércio voltando ao patamar pré-crise.

 

Apesar da taxa de câmbio mais pressionada, a inflação continua a demonstrar comportamento moderado. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) de agosto cresceu 0,24%, acumulando alta de 0,70% no ano e 2,44% nos últimos 12 meses.

 

A recente alta de preços de alimentos é considerada pelo mercado como um choque passageiro, e o índice deverá ficar abaixo da meta do Banco Central (4% a.a.) para este ano. Com a inflação controlada, o Comitê de Política Monetária (COPOM) se reuniu nos dias 17 e 18 de setembro e decidiu manter a taxa Selic em seu menor nível histórico (2% a.a).

 

O risco para o restante de 2020, no Brasil e no mundo, continua sendo fiscal. Além do impacto que esse risco tem na retomada da confiança do consumidor — e, consequentemente, da atividade —, o aumento do risco fiscal tende a diminuir o espaço no orçamento do governo para medidas que ajudem a população e as empresas mais vulneráveis na crise.

 

Sem uma data determinada para o fim dos impactos econômicos provocados pela pandemia e com as vacinas ainda em desenvolvimento, o risco fiscal poderá determinar a direção dos mercados e a maneira com que os investidores alocarão seus recursos.

 

 

RENDA FIXA

 

Ao longo do mês, as curvas de juros nominal e real apresentaram aumento importante de suas inclinações. Isso se deve, principalmente, à dificuldade fiscal do governo em apresentar um plano sustentável para financiar um novo programa de renda básica e respeitar o teto de gastos.

 

Com as dificuldades impostas pelo mercado ao Tesouro no financiamento da crescente dívida pública, até mesmo os títulos públicos indexados à variação da taxa SELIC estão tendo seu valor reajustado no mercado secundário. As LFTs (Letras Financeiras do Tesouro), que historicamente são opções de alta liquidez, estão sendo negociadas abaixo do seu valor de face. Assim, mesmo fundos ultraconservadores estão sendo afetados negativamente. A expectativa é de que, com a contenção do ambiente de incerteza, esta modalidade de ativos retome à normalidade.

 

Além disso, as incertezas fiscais fizeram nossas posições em juros direcionais encerrarem o mês com um desempenho negativo. Na parte curta da curva de juros, o DI para janeiro de 2021 cedeu 3 bps no mês, a parte intermediária (DI de janeiro de 2023) cresceu em 47 bps e, na ponta longa, o DI de janeiro de 2027 subiu 63 bps, levando a um novo aumento na inclinação da curva de juros (diferencial entre um vértice longo e curto).

 

O diferencial entre os vencimentos de janeiro de 2023 e janeiro de 2021 aumentou em 50 bps e, na ponta longa, o diferencial entre os vencimentos de janeiro de 2027 e janeiro de 2021 mostrou crescimento de 66 bps.

 

Em resumo, isso quer dizer que o mercado está exigindo mais prêmio para carregar títulos do governo, por conta do aumento da incerteza fiscal. A curva real também apresentou aumento de nível, acompanhado de um aumento em sua inclinação nos vértices intermediários.

 

Consideramos a questão fiscal um elemento crucial para o desempenho e volatilidade esperados nos mercados de Renda Fixa, mas acreditamos que os níveis observados para os juros ao longo da ETTJ (Estrutura a Termo das Taxas de Juros) no final do mês apresentavam algum prêmio.

 

A curva de juros no fechamento do mês precifica um aumento maior que 200 bps para o horizonte de dois anos na taxa SELIC. Em nossa visão, isso proporcionou uma oportunidade de entrada, em especial ao considerarmos um horizonte para fundos de investimentos em previdência privada (médio e longo prazo).

 

Assim, aumentamos nossa exposição com o alongamento de duration em nossas principais estratégias. Nesse sentido, seguimos com nossa visão estrutural no potencial vislumbrado nos títulos híbridos indexados ao IPCA, ainda que através de títulos mais curtos, pela perspectiva de retomada da inflação neste final 2020 e início de 2021.

 

Estamos acompanhando a curva prefixada nominal e olhando prêmios em termos de política monetária, que em nossa opinião está muito mais atrelada ao andamento das políticas fiscais do país do que, de fato, à inflação e a atividade econômica.

 

MULTIMERCADOS

 

No ambiente de maior incerteza, os fundos Multimercados passaram por ajustes em praticamente todos fatores a que estão expostos.

 

Os resultados negativos de setembro são decorrentes principalmente da Renda Variável, mas as demais classes, como Renda Fixa e investimentos no exterior, também não apresentaram resultados favoráveis.

 

Apesar da volatilidade neste curto prazo, estruturalmente vemos um cenário futuro saudável, com uma visão positiva para a Bolsa brasileira. Neste contexto, aumentamos a exposição efetiva em risco relativo a Renda Variável e passamos de uma alocação relativamente neutra para uma exposição maior.

 

Continuando o processo de ajuste nas posições, conforme comentado, na Renda Fixa elevamos um pouco mais a parcela prefixada média, vislumbrando uma assimetria de risco X retorno. Porém, em nossas alocações continuamos com a estratégia de ganhos de curto prazo, realizando lucros e utilizando derivativos para ganhos.

 

Na diversificação estrutural de EUA x Brasil, fizemos mudanças táticas: passamos a incorporar empresas que visam a retomada da economia americana e diminuímos as mega caps.

 

Também consideramos que o risco fiscal ainda prescreve atenção; porém, passamos a entender que os prêmios adicionados à curva e as sinalizações do Banco Central com relação ao foward guidance estão em assimetria — e acreditamos que o cenário é benigno para capturar estes prêmios ao longo da estrutura da curva de juros.

 

O mercado tem utilizado o dólar como hedge mais barato de posições estruturais, seja nos juros ou na Bolsa. Com esta visão, permanecemos alocados no dólar, porém, aproveitando dissonâncias para movimentos táticos.

 

No cenário atual, entendemos que as posições estruturais refletem a visão de longo prazo que o produto previdência supõe e as posições táticas buscam capturar ganhos de mercado para rendimento de curto prazo.

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