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POSTADO EM 12/05/2020

Palavra do Gestor: tudo sobre os acontecimentos de abril

Confira a palavra do gestor dos fundos de renda fixa e multimercado

No âmbito global, abril foi marcado pelo avanço do coronavírus e seus impactos econômicos. Fizeram preço as estimativas do impacto das medidas de isolamento social, assim como quanto tempo seria necessário adotá-la em cada região e como seria o processo de reabertura das economias. 

 

A divulgação de dados do PIB do primeiro trimestre do ano nas principais economias do mundo (-4.8% nos EUA e -3.8% na Europa, anualizados e em relação ao trimestre anterior) indicam forte recessão global para o ano, estimada em -3% pelo FMI, com viés de baixa. Também movimentaram os mercados globais o avanço de desenvolvimento de uma vacina ou remédio para a COVID19, uma vez que isso afetaria os cálculos anteriormente mencionados. 

 

Do lado político, Trump passou a atacar a China de forma mais direta, responsabilizando-a por não ter comunicado de forma transparente a real situação da doença em seu início. Para isso, anunciou que o país deixaria de financiar a OMS, por ter sido complacente com o país asiático, além de não ter sido efetiva no momento em que o mundo mais precisaria de sua atuação. A escalada do conflito entre os dois países aumenta a possibilidade da guerra comercial, que havia arrefecido devido a um acordo assinado pelos dois países em janeiro, e volta a afetar a economia global. 

 

Nacionalmente, dois ministros de alta relevância deixaram o governo Bolsonaro, Henrique Mandetta e Sérgio Moro, sendo que este último trouxe maior impacto e continua apresentando riscos para o governo. Em seu discurso de demissão, Sérgio Moro fez uma série de comentários que levantaram questionamentos importantes, dentre eles a interferência direta do presidente na atuação da polícia federal.  

 

Ainda no âmbito político, o pacote de ajuda a estados e municípios sofreu alterações devido a necessidade de dar um apoio adicional para que estes possam fazer investimentos em saúde, assim como honrar com seus compromissos obrigatórios frente a uma forte queda de arrecadação devido à redução da atividade. Assim, aumentou o conflito entre os níveis da federação e a desconfiança dos investidores, que passam a precificar a possibilidade de que eventuais gastos feitos neste momento excepcional serão prolongados e levarão a uma piora do endividamento do governo, não apenas no nível, mas em sua trajetória. A PEC do “orçamento de guerra” disponibiliza fundos extras para o governo e expande a capacidade de atuação do Banco Central, que passa a poder adquirir títulos da dívida pública e privada, como forma de estimular a economia, o que têm implicações amplas para as políticas econômicas. Com o conturbado cenário político doméstico e desaceleração da economia global, o dólar apreciou 4.51% no mês, ultrapassando recorde histórico, chegar em sua máxima a os R$/US$ 5,748. 

 

 

MULTIMERCADOS 

 

De forma geral, posicionamos as estratégias nos multimercados com um posicionamento relativamente mais leve, considerando que entendemos que os desafios ainda permanecem. Estamos atuando com as alocações de maneira mais tática, aproveitando momentos de volatilidade para abrir e encerrar posições de maneira mais rápida e com objetivos mais curtos, com um viés de proteção de portfólio. 

 

Neste sentido, na parcela de renda variável estamos com um posicionamento tido como neutro, esperando o momento que na nossa visão seja adequado para novas inserções. Reduzimos um pouco a estratégia Small Caps redirecionando para o Ibovespa a fim de reduzir um pouco a exposição em alguns setores onde o Small Caps é mais carregado como construção e consumo. Com a queda observada no final da semana passada, fizemos alguns ajustes táticos sem mudar esse perfil mais leve. Também estamos atuando com opções no sentido de buscar ganho e proteção. 

 

Além disso, para as estratégias que acessam o mercado externo, elevamos nossa alocação buscando especialmente um ETF, chamado USMC (corporações com maiores valores de mercado americanas). Nesse ambiente de mercado mais hostil, as Mega Caps proporcionaram um grau significativo proteção. 

 

No que se refere à parcela de renda fixa, também fizemos algumas mudanças, onde elevamos a exposição de papéis prefixados de duração mais curta (entenda-se de 2 anos), na medida que os fundamentos começam a prevalecer, devolver parte dos prêmios agregados recentemente respondendo à expectativa de uma SELIC e inflação mais baixa. O segmento longo, embora na nossa visão também tenha prêmio, entendemos que no atual momento, a volatilidade e o alongamento da duração somado aos custos das medidas de estímulos econômicos por conta do COVID-19 pode trazer um impacto fiscal com risco de extensão para além de 2020 e as chances de aprovação das reformas estruturais que pudessem trazer um alivio fiscal parecem ter ficado menos prováveis.  

 

 

RENDA FIXA 

 

Os fundos puramente de renda fixa estavam tendo uma boa recuperação em abril, até o evento político próximo ao final do mês que, além das crises já no radar (i) na saúde e (ii) fiscal/econômica, adicionou uma terceira no campo (iii) político. Essas incertezas voltaram a colocar prêmio na ponta longa de juros contrariando o ocorrido na ponta curta, mais impactada pelos diversos cenários de cortes de juros para o COPOM, no início do mês de maio. Apostas mais firmes estão num corte de 50 bps com posterior continuidade da expansão. Isso se dá por acreditar que a COVID-19 é deflacionária e impactará a atividade doméstica de forma mais duradoura. A ETTJ inclinou com queda dos juros curtos e elevação dos longos. 

 

Se por um lado temos (i) a crise na saúde, com o Coronavírus causando desaceleração nas economias, de forma desinflacionária, o que sugeriria um nível de juros estruturais mais baixos, por outro temos (ii) um impacto fiscal (ainda não totalmente conhecido, com maiores delongas nas reformas conjunturais) e (iii) político (que nubla acordos entre os poderes públicos). Isso nos faz ter cautela nas tomadas de decisões e mensurar mais a fundo qual poderia ser a magnitude do impacto na curva de juros nominal e real.  

 

Assim, optamos por manter os riscos das carteiras, de uma forma geral, na neutralidade. Mantivemos baixa exposição tática nos juros nominais médios e longos. Entendemos ser mais óbvio incorrer nesse risco na ponta curta, com prováveis cortes de juros pelo COPOM e manutenção da taxa básica da economia por prolongado período. Para tanto, trocamos a exposição na inflação curta – que não mostra pressão inflacionária, tampouco surpreendeu com pontuais choques – para o prefixado curto. Em termos de alocação estratégica, preferimos os ativos atrelados à curva real de médio / longo prazo por entender que estes ainda apresentam melhor relação risco-retorno. Reduzimos em torno de 1/3 a exposição de arbitragem em renda fixa, que vem servindo como proteção de parte do portfólio de longa duração (~7%). 

 

Na nossa visão, o mercado ainda opera sob influência de matrizes de incerteza e bombardeamento de notícias fazendo com que a precificação dos ativos esteja fora de consenso, trazendo grande volatilidade. Entendemos que houve leve melhora nas perspectivas, mas que ainda trará oscilação nos preços pelos motivos já citados acima. Acreditamos que apesar dessa volatilidade nosso viés é de recuperação, porém, de forma não linear (mais cautelosa), ou seja, com oscilações e alternâncias entre altas e baixas. 

 

Seguimos observando avidamente o mercado em prol de oportunidades que possam aparecer para ajustar as posições nos fundos, sempre visando um horizonte de médio/longo prazo. Nestes momentos, é necessário analisar os fatos, sem emoção, separando o que é impacto fruto de movimentos especulativos e conjunturais daquilo que é de fato estrutural e irá balizar o real preço dos ativos no médio prazo. 

 

Nossos especialistas continuam focados diariamente em oferecer as melhores soluções para a sua previdência.. Fique de olho nas comunicações para não perder nada e até a próxima!

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