Palavra do Gestor: tudo sobre os acontecimentos de outubro

Confira a palavra do gestor dos fundos de Renda Fixa e Multimercados

CENÁRIO ECONÔMICO

 

Mercado Internacional

 

A preocupação com o aumento dos preços de commodities mundiais – em especial do gás natural, carvão e petróleo – continuou no radar dos investidores no mês de outubro. Com preços mais altos, os índices de inflação acabaram sendo impactados e, com isso, criou-se uma expectativa do mercado para um aumento futuro da taxa de juros dos países desenvolvidos. Com essa perspectiva de juros mais altos, acaba ocorrendo um deslocamento do apetite de risco do investidor internacional por ativos de renda fixa.

Outro ponto de incerteza foi a queda na oferta de gás natural no mundo, correndo o risco de não suprir a demanda crescente do produto. Com isso, o petróleo, fonte de energia alternativa, acabou vendo seu preço subir. O mercado teme os reflexos desses preços mais altos na inflação e, como isso, poderia impactar as decisões de política monetária dos Bancos Centrais.

Porém, esse mês também foi marcado pela ótima performance de diversas companhias listadas nas bolsas americanas. Esses resultados foram mais que suficientes para neutralizar o viés mais conservador dos analistas, com as bolsas americanas, por exemplo, batendo recorde de performance.

Ainda no radar dos investidores, ficou a tramitação dos pacotes de infraestrutura e de ajuda às famílias, além da discussão de gastos nos Estados Unidos e do acompanhamento dos pagamentos da incorporadora chinesa Evergrande.

 

Mercado local

 

A atividade econômica brasileira apresentou resultado misto em setembro. Indústria e comércio com resultados abaixo do esperado pelo mercado, mas com o setor de serviços em franca recuperação. Esses resultados não fazem com que a expectativa do PIB 2021 divirja muito de 5%, mas os analistas já começam a acreditar que, embora em recuperação, a atividade econômica esteja perdendo um pouco de ritmo.

Os dados de mercado de trabalho continuam a dar sinais positivos. Em setembro, o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou o CAGED (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), com criação de 313.914 novas vagas de emprego. Nessa linha, apesar dos dados serem de agosto, a taxa de desemprego passou de 13,7% para 13,3%.

Os índices de inflação no curto prazo continuam pressionados. A alta dos preços de combustíveis e o aumento da taxa de câmbio, acabaram gerando reajustes maiores que os esperados pelo mercado. O IPCA-15 de outubro apresentou alta de 1,20% – acima da expectativa – acumulando 10,34% nos últimos 12 meses.

O mês de outubro foi, também, marcado pelo aumento da volatilidade e do viés negativo dos mercados. Foi apresentado o novo texto da PEC dos Precatórios que, além de descrever a proposta de pagamento dos precatórios em 2022 e 2023, também propõe alteração do indexador do teto de gastos. Ao invés de se utilizar o acumulado entre junho e julho, seria utilizado o IPCA do ano corrente (de janeiro a dezembro). Segundo as contas do governo, caso esses pontos sejam aprovados no Congresso, teríamos 15 bilhões de reais a mais para gastos em 2021 e 83 bilhões em 2022. Esse resultado permitiria que o Auxílio Brasil fosse distribuído para 17 milhões de pessoas, com valor de R$400,00.

O mercado recebeu essa notícia de maneira bastante negativa, fazendo com que nossa moeda se desvalorizasse, a bolsa caísse e a curva de juros abrisse nos vencimentos mais longos. Aumentou, também, a pressão sobre a reunião do Banco Central nos dias 26 e 27 de outubro, com o mercado pedindo um aumento mais forte por parte do Comitê de Política Monetária.

E foi isso que aconteceu. O COPOM levou a taxa Selic para o patamar de 7,75% a.a., indicando mesmo ritmo para a última reunião do Comitê em 2021. Ou seja, se os dados econômicos e fiscais continuarem caminhando conforme o esperado pelo COPOM, a taxa de juros básica da economia brasileira poderá atingir o patamar de 9,25% a.a. em dezembro.

 

Preço dos ativos

 

A taxa de câmbio encerrou outubro cotada a R$5,64 (alta de 3,74%); já o Ibovespa encerrou o mês em 103.500,71 pontos, queda de 6,74% no mês.

 

RENDA FIXA

 

O mês de outubro provou-se turbulento quando falamos dos mercados de renda fixa local. Com a deterioração da estrutura fiscal e as incertezas sobre o nível de gasto público para 2022, houve um amplo movimento de ajuste na precificação da taxa de juros esperada pela Curva de Juros de mercado. Houve aumento de nível em todos os vencimentos de juros nominais e reais, acompanhado de elevação na volatilidade.

Com o mercado sem referência clara para as perspectivas de inflação e juros, coube ao Banco Central a tentativa de realinhar a tendência para estas variáveis, através de uma elevação da taxa SELIC acima do que havia sido anteriormente encomendado. Ainda assim, o ciclo de elevação da SELIC parece ter se alongado, com parte dos agentes econômicos pressionando a autoridade monetária por taxas de juros de dois dígitos já para 2022.

No âmbito global, o mercado seguiu aguardando o anúncio da retirada gradual dos estímulos monetários pelo FED (Banco Central dos EUA), que deverá se iniciar ainda em novembro. A crise das commodities energéticas e seus efeitos sobre a persistência da inflação global é um forte ponto de atenção, que pode acelerar o processo de ajuste monetário nas economias centrais e, desta forma, pressionar as curvas de juros nos países emergentes.

Neste contexto, conseguimos evitar perdas mais acentuadas em nossas estratégias de renda fixa, com o movimento de redução das exposições ao risco que temos feito nos últimos meses. Buscamos gerar resultados através de posições táticas, aproveitando níveis de stress nas taxas de juros nominais intermediárias e longas. Ademais, seguimos com nível menor de duração nos fundos posicionados em pós-fixados e, em menor grau, títulos indexados à inflação de curta duração.

 

MULTIMERCADOS

 

Outubro manteve o clima desafiador nos mercados locais. Apesar de se ter ensaiado uma recuperação, tivemos diversos eventos detratores que penalizaram fortemente os ativos locais. Fora do país, os mercados seguem com EUA ainda com o mercado em alta, Europa também com viés de alta, mas ainda monitorando petróleo e gás natural, e China com um cenário mais desafiador.

A aversão ao risco se intensificou no Brasil, o que refletiu instantaneamente na precificação de ativos. Tivemos o Ibovespa tocando uma mínima de 103 mil pontos e fechando o mês próximo dos 105 mil pontos. Os mercados de juros futuros de média e longa duração, já operam em dois dígitos e o dólar segue acima dos R$ 5,50. Os temores de quebra de teto de gastos se materializaram e essa foi a principal causa para a nova debandada nos mercados locais. Aliado a isso, tivemos reuniões do Copom com uma postura mais austera, com taxas de juros mais altas e, assim, menor demanda e inflação mais controlada, sendo que a última nos trouxe uma alta de 1,5% na Selic. O contraponto pode vir com o início da temporada de balanços do terceiro trimestre, que começaram no final do mês e seguem por novembro.

Em contrapartida, o mercado externo segue forte, com o índice S&P 500 fechando o mês renovando sua máxima histórica. Apesar dos temores em relação à crescente inflação e superaquecimento da economia, o mercado segue ainda comprado. Tivemos uma temporada de resultados muito positiva, o que serviu como um catalisador para a performance das bolsas lá fora. Com isso, o mercado vem monitorando um possível início de retirada de estímulos. Na outra ponta, alguns choques de oferta de energia elevaram rapidamente os preços de petróleo e gás, o que trouxe preocupação para Europa e China, esta última que, aliado à política de zero tolerância ao Covid-19 e a temores em relação à liquidez de seu setor imobiliário, sofreu bastante no mês e tem um cenário mais desafiador.

Ajustamos a volatilidade das estratégias, preferindo uma maior alocação em Pós-fixados e Crédito Privado, uma vez que o BC vem se mostrando mais agressivo no aperto monetário. Também mantivemos posição em inflação de baixa e média duração, visando proteção contra os choques de preço. Em renda variável, diminuímos alocação em small caps, preterindo-as por posições mais passivas do Ibovespa. Seguimos preferindo alocação no mercado exterior, visto a assimetria na relação risco e retorno quando comparado ao mercado local atual.

 

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