Série Entendendo os Dados Econômicos: Selic, a “mãe” de todas as taxas

A Selic é a taxa básica de juros do país com a meta definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM), que se reúne de 45 em 45 dias.

Por ser a taxa básica da economia, ela acaba influenciando todas as outras taxas de juros do país, como dos empréstimos, financiamentos e das aplicações financeiras. Quando o BC (Banco Central) altera a Selic para baixo, por exemplo, os juros cobrados pelas instituições financeiras ao emprestar também diminuem, além da rentabilidade dos títulos ligados a ela.

O contrário acontece quando a Selic sobe: o custo dos bancos fica mais alto e eles repassam isso para o custo dos empréstimos. A rentabilidade dos investimentos atrelados à Selic também sobe.

E como esse sobe e desce impacta o mercado?

Além dessas movimentações do mercado real, as apostas de altas e quedas da Selic acabam movimentando a curva de juros futura da economia, importante elemento de precificação diária dos ativos de renda fixa.

Se a expectativa do mercado é de uma alta da taxa Selic nas próximas reuniões do COPOM, a demanda por títulos pós-fixados (aqueles que rendem a taxa Selic do momento do vencimento do título) aumenta. Isso faz com que o preço desses títulos aumente, melhorando o rendimento dos ativos de renda fixa.

Em contrapartida, os títulos prefixados, aqueles que no momento da compra você já sabe quanto vai ter de rentabilidade, apresentam queda de preços, dado que no momento da compra o nível da taxa Selic era menor.

Para ficar mais fácil, vamos exemplificar:

João e Maria compraram, cada um, um título de renda fixa atrelado à Selic. Nesse nosso exemplo a Selic é de 5% a.a.

O João comprou um título prefixado, que tem como referência a Selic hoje. O título vencerá em 2 anos e paga 5% a.a. A Maria também comprou um título que vence em 2 anos, mas o título dela paga 100% da Selic a.a. no vencimento (ou seja, pós-fixado). Nesse momento, os dois estão iguais.

Porém, o mercado começa a acreditar que a taxa Selic, em 2 anos, vai para 7%. Então, a curva de juros futura começa a precificar essa previsão do mercado, com os investidores buscando títulos que paguem algo mais próximo desses 7% do que rentabilidades menores. Assim, os títulos prefixados, que valem 5%, têm pouca demanda, fazendo com que o preço deles caia. Já os títulos pós-fixados começam a valer mais pela alta procura.

Assim, se o João quiser vender esse título agora, o mercado vai querer dar uma rentabilidade de 4,7%. Enquanto para a Maria, o mercado está disposto a pagar 6%. João vai ver sua rentabilidade cair naquele dia, enquanto a Maria, subir; mesmo que os dois estejam em ativos de renda fixa, atrelados à mesma taxa, a Selic.

Em momentos de muita volatilidade e incerteza nos mercados, os títulos de renda fixa podem apresentar variações parecidas ou até maiores que um ativo considerado mais arriscado, como as ações. É importante lembrarmos que existe um mercado de compra e venda diário de renda fixa, como acontece com as ações da bolsa. Ambos são impactados diretamente pelas notícias do dia a dia, refletindo o apetite dos investidores por risco e por diferentes tipos de ativos.

E aí, deu para desatar alguns nós? Esperamos que nossa série esteja te ajudado a entender um pouco mais sobre esse mundo dos dados econômicos e como eles influenciam a sua vida.

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