Sobre pães caseiros e planejamento financeiro

Conheça os principais ingredientes para que você tenha sucesso no seu planejamento financeiro.

Você já experimentou fazer pão caseiro ou já viu alguém fazendo?

Para que todos aqueles ingredientes virem um pão quentinho e delicioso – assim esperamos –, é preciso seguir uma receita, esteja ela num papel ou na cabeça do mestre-cuca.

Há, então, uma regra a ser seguida a respeito da ordem em que esses ingredientes devem ser adicionados à mistura. No entanto, existe um componente mágico nesse processo: o fermento!

Se for a primeira fornada de pães, é preciso comprar o fermento biológico numa padaria, por exemplo. Mas, se você fizer pão regularmente, a situação é diferente: quando a massa estiver pronta, antes de ir ao forno, você pode reservar uma parte pequena e guardar.

E aí, da próxima vez que for fazer pão, em vez de colocar o fermento, basta incorporar parte dessa massa reservada à nova receita, e ela fará o papel de fermento.

 

 

Mas, qual o pulo do gato aqui?

Se quem estiver fazendo o pão não for cuidadoso e prestar atenção, algumas coisas poderão dar errado.

Por exemplo, caso antes de começar a aventura culinária você não tenha se planejado, alguns ingredientes podem faltar. Pode ser que você esteja no meio da receita, trabalhando a massa, e se dê conta de que não comprou o fermento.

Ou, na hora de acrescentar o leite, reparou que ele estava azedo ou, ainda, em vez de quebrar o ovo num copo ao lado, fez isso diretamente na mistura e descobriu que o ovo estava podre, colocando tudo a perder.

Existe também a chance de você se esquecer de reservar, antes de colocar o pão no forno, a parte que fará a próxima mistura crescer: o fermento.

No entanto, se você se planejar com antecedência, seguir corretamente as indicações da receita, reservar uma parte da massa para a próxima fornada e tiver ingredientes extras para serem usados caso haja imprevistos, você aumenta muito a sua probabilidade de comer pães quentinhos com manteiga derretendo junto com um café delicioso no próximo lanche da tarde!

 

Você deve estar pensando: espere um pouco, este aqui é um blog de finanças e não de culinária. O que este artigo está fazendo aqui?

Te respondo: o sucesso financeiro depende das mesmas condições necessárias para uma boa receita dar certo.

O primeiro passo – o mais importante, apesar de não ser o mais fácil – é reservar, antes de começar a gastar, uma parte que fará seu dinheiro crescer mais rapidamente no futuro – seu “fermento financeiro”.

Que reserva é essa? Sua poupança. Uma parte da sua renda investida em um produto financeiro que fará seu dinheiro crescer sem que você tenha que fazer nada para isso.

Atenção que não se trata de caderneta de poupança, um produto muito familiar aos brasileiros, mas sim de poupar, guardar, não gastar dinheiro. E o truque é fazer como na receita de pão: separar um montante, mesmo que pequeno, assim que seu rendimento entrar na sua conta.

Os planejadores financeiros, ou os “mestres-cucas das finanças”, recomendam sempre dividir esse dinheiro poupado em três tipos de reserva.

 

Para emergências: no caso da receita, poder comprar outro leite para substituir o azedo. Nas finanças, imprevistos em que você vai precisar de um dinheiro rapidamente. Pode ser para ajudar alguém, pagar um conserto no carro ou ainda custear a sua vida caso perca o emprego.

E claro que pode ser usado também para oportunidades, como entrar num negócio novo que se provou promissor ou dar entrada em um imóvel que está com um preço bom.

Para esse tipo de reserva os produtos financeiros mais indicados são aqueles que possuem liquidez imediata, ou seja, que você pode resgatar no momento em que quiser sem prejuízo da rentabilidade.

 

Para seus sonhos ou metas de curto prazo: se fôssemos fazer um paralelo com assar pães, seria aquela uva-passa deliciosa que estava guardada para ser usada num momento especial.

Ao se tratar de dinheiro, pensamos numa reserva para ser utilizada num prazo definido, como em um curso daqui a dois anos ou um intercâmbio em cinco anos.

Nesse caso, o dinheiro precisa ficar investido em produtos que tenham um prazo de vencimento maior, pois, quanto mais tempo seu dinheiro fica num mesmo produto, maior a rentabilidade que ele oferece, ou seja, mais ele cresce sozinho.

Para o pão, mais fermento ou a dica da minha avó: ponha a massa numa bacia coberta e coloque em cima do fogão com o forno quente. Esse calorzinho vai ajudar a massa a crescer mais rapidamente!

 

Para o futuro, para o longo prazo ou aposentadoria: essa é uma reserva muito importante, que vai garantir que você possa comer pão quentinho muitas vezes ainda.

Nesse caso, os produtos financeiros mais adequados são os fundos de previdência, que preservam seu capital, tal qual a massa com fermento, no caso dos pães, e ainda fazem com que ele cresça mais rapidamente. Bingo!

E, claro, existem vários tipos de fundos, o que permite que você encontre o mais adequado para você, segundo seu perfil, objetivos e possibilidades de contribuição.

 

A vida é cheia de surpresas e nos esquecemos disso. Somos otimistas demais e confiamos muito na nossa capacidade de encontrar uma solução quando surge um problema.

Se fosse uma receita de pão, o que fazer se quebrarmos os ovos diretamente na massa, eles estiverem podres e não tivermos nos preparado para isso comprando ingredientes extras? Daria para sair e comprar mais.

Na vida, no entanto, nem sempre é tão simples assim.

Por isso mesmo vale a pena seguir a receita dos “mestres-cucas” financeiros:

 

#1: Planeje-se com antecedência, prevendo gastos imprevistos.

#2: Construa reservas financeiras consistentes.

#3: Pense na sua aposentadoria e se prepare para ela.

 

E, agora, a minha…

#4: aprenda a seguir receitas e usufrua todas as coisas boas que a vida tem para te oferecer!!!

 

Renata Taveiros Neuroeconomista

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